172Neste sentido a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça à luz do CPC/73, compatível com o NCPC: “PROCESSUAL CIVIL
- EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA - AÇÃO CAUTELAR PREPARATÓRIA - AÇÃO PRINCIPAL - NÃO AJUIZAMENTO NO PRAZO ESTABELECIDO PELO ART. 806 DO CPC - EXTINÇÃO DO FEITO - PRECEDENTES. - A ação cautelar é sempre dependente do processo principal e visa apenas garantir a eficácia da futura prestação jurisdicional. - O não-ajuizamento da ação principal no prazo estabelecido pelo art. 806 do CPC, acarreta a perda da medida liminar e a extinção do processo cautelar, sem julgamento do mérito. - Embargos de divergência conhecidos e providos.” (EREsp 327438 / DF EMBARGOS DE DIVERGENCIA
NO RECURSO ESPECIAL 2004/0015834-5. Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS (1094, 30.06.2006). Também a jurisprudência do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: “MEDIDA CAUTELAR DE SUSTAÇÃO DE PROTESTO. AJUIZAMENTO
INTEMPESTIVO DA AÇÃO PRINCIPAL. CESSAÇÃO DA EFICÁCIA. EXTINÇÃO DO PROCESSO CAUTELAR. O não-ajuizamento da ação principal no prazo do art. 806 do CPC implica não apenas a cessação da eficácia da medida cautelar (art. 808, I, do CPC), como também a extinção do processo cautelar por falta de interesse processual superveniente (art. 267, VI, do CPC). Agravo de instrumento provido.” (Agravo de Instrumento Nº 70021466479, Décima Primeira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS,
Relator: Voltaire de Lima Moraes, Julgado em 21/11/2007) “CAUTELAR DE SUSTAÇÃO DE PROTESTO. CHEQUE PRÉ-DATADO.
NÃO INTERPOSIÇÃO DA AÇÃO PRINCIPAL NO PRAZO LEGAL CONDUZ A EXTINÇÃO DA CAUTELAR. PERDA DE EFICÁCIA NOS TERMOS DO INCISO I DO ARTIGO 808 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. O ajuizamento de ação cautelar de sustação de protesto de cheque, sem natureza satisfativa, não dispensa a propositura da ação principal no trintídio legal, sob pena de extinção da cautelar por perda de eficácia. Inteligência do art. 806 do CPC. A discussão sobre a validade do título encaminhado a protesto, portanto, deverá ser objeto de análise na ação principal e não na ação cautelar como pretendeu o apelante. APELAÇÃO DESPROVIDA. UNÂNIME”. (Apelação Cível Nº 70021896667, Décima Sexta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS,
Relator: Paulo Augusto Monte Lopes, Julgado em 14/11/2007) Em sentido contrário, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: “RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CAUTELAR. NÃO AJUIZAMENTO DA AÇÃO CAUTELAR NO PRAZO DO ART. 806 DO CPC -
PERDA DA EFICÁCIA - CPC 808. - A inobservância do prazo do artigo 806, do CPC, não acarreta a extinção do processo, mas apenas a perda da eficácia da liminar concedida. - Precedentes.” (REsp 417.962. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros,
Primeira Turma, 26.08.2003)
173Em sentido contrário, Luiz Guilherme MARINONI e Daniel Francisco MITIDIERO (In: Código de Processo Civil – Comentado
artigo por artigo. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008, p. 760), em comentário ao CPC/73, verbis: “como a não propositura da ação principal conduz apenas à cessação da eficácia da tutela cautelar, não impondo a extinção do processo, há aí uma decisão interlocutória, impugnável mediante agravo de instrumento”.
174Segundo Luiz ORIONE NETO (In: Ob. cit., p. 189), “nas medidas e nas providências apenas procedimentalmente cautelares
ou só topologicamente cautelares, não se aplica o prazo legal de trinta dias. Também as medidas satisfativas não se sujeitam à regra do art. 806, porque se trata de ação autônoma, principal, definitiva, e não acessória ou provisória de qualquer outra”.
142
142cautelares continuarão prescindindo de um pedido principal. É o caso da ação cautelar de separação de corpos, tratada pela jurisprudência e doutrina – em que pese as críticas – como cautelar satisfativa. Certamente esta ação seguirá o rito previsto a partir do art. 305 NCPC, sendo prescindível a formulação de pedido principal, não se aplicando a consequência prevista no artigo 309, inciso I, do NCPC.
16.3.15. Prosseguimento do procedimento, no qual foi deduzida a lide cautelar, após a apre- sentação do pedido principal: nos termos do § 3° do artigo 308 do NCPC, “apresentado o pedido princi-
pal, as partes serão intimadas para audiência de conciliação ou de mediação, na forma do art. 334, por seus advogados ou pessoalmente, sem necessidade de nova citação do réu”. Como o réu já foi citado
para responder a ação cautelar, a forma do artigo 306 do NCPC e, como se trata de um único processo, evidentemente, que não há a necessidade de nova citação do réu para responder o pedido principal. Seguindo a mesma sistemática prevista para o procedimento comum, o réu será intimado para compare- cer à audiência de conciliação ou mediação, na forma do art. 334 do NCPC. Evidentemente, a conciliação ou mediação deverá abranger não apenas a lide principal, mas também a lide cautelar.
Não havendo autocomposição, conforme dispõe o § 4° do art. 308 do NCPC, o prazo para contes- tação será contado na forma do art. 335 do NCPC. Na contestação, apresentada à lide principal, o réu poderá invocar todas as matérias previstas nos arts. 336 e 337 do NCPC. Do mesmo modo, se for o caso, poderá apresentar reconvenção, de acordo com o art. 343 do NCPC. Caberá ao réu – por ocasião da apresentação de contestação ao pedido principal - manifestar-se precisamente sobre as alegações de fato constantes da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não impugnadas, nos termos do art. 341 do NCPC. Aplicam-se também à falta de contestação ao pedido principal, as disposições relativas à reve- lia, previstas nos arts. 344 a 346 do NCPC. Se o réu alegar qualquer das matérias elencadas no art. 337 do NCPC, o juiz determinará a oitiva do autor no prazo de 15 (quinze) dias, permitindo-lhe a produção de prova, de acordo com a previsão do art. 351 do NCPC. Do mesmo modo, nos termos do art. 350 do NCPC,
“se o réu alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, este será ouvido no prazo de 15 (quinze) dias, permitindo-lhe o juiz a produção de prova”.
Após ter sido oportunizado prazo de réplica – tenha havido ou não manifestação do autor -, o magistrado terá quatro possibilidades tanto em relação à lide cautelar quanto no tocante à lide principal: a). extinção do processo nas hipóteses previstas nos artigos. 485 e 487, incisos II e III, do NCPC, tal como está previsto no art. 354 do NCPC;
b). julgar antecipadamente o mérito, na forma do art. 355 do NCPC, proferindo sentença com re- solução de mérito, quando não houver a necessidade de produção de outras provas, o réu for re- vel e ocorrer o efeito previsto no art. 344, não havendo requerimento de prova na forma do art. 349 do NCPC;
c). julgar antecipadamente parcialmente o mérito, na forma do art. 356 do NCPC, “quando um ou
mais dos pedidos formulados ou parcela deles mostrar-se incontroverso” ou “estiver em condi- ções de imediato julgamento, nos termos do art. 355 do NCPC”.
d). sanear e organizar o processo, na forma prevista no art. 357 do NCPC.
Na última hipótese, a decisão de saneamento também deverá abranger tanto a lide cautelar quanto à lide principal. No saneamento, além de resolver questões processuais pendentes, se houver, o magistrado também delimitará questões de fato sobre as quais recairá a atividade probatória, especifi- cando os meios de prova admitidos (tanto na lide cautelar quanto na principal, são admitidos todos os meios de prova). Do mesmo modo, definirá questões relativas ao ônus da prova, observando o disposto no art. 373 do NCPC. Também delimitará as questões de direito relevantes para a decisão do mérito. Em havendo questões de fato, designará, se necessário, audiência de instrução e julgamento. Tendo sido determinada a produção de prova testemunhal, o juiz fixará prazo comum, não superior a 15 (quinze)