ABSOLUTA E RELATIVA
5.2 IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO
Impedimento e suspeição representam situações distintas, geradoras de consequências igualmente distintas.
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43 De acordo com Hélio Tornaghi, o impedimento “é a circunstância que priva o juiz do exercício de suas funções em determinado caso, dada a sua relação com o objeto da causa”, enquanto a suspeição, por sua vez, “é a desconfiança, a dúvida, o receio de que o juiz, ainda quando honesto e probo, não terá condi- ções psicológicas de julgar com isenção dada a sua relação com qualquer das partes”12.O impedimento se apresenta como verdadeira proibição, imposta ao juiz, de oficiar no processo em que se encontre presente qualquer das circunstâncias apontadas no artigo 134 do CPC/1973. Já no NCPC, tal dispositivo encontra-se no artigo 144, in verbis:
Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas funções no pro- cesso:
I - em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, funcio- nou como membro do Ministério Público ou prestou depoimento como tes- temunha;
II - de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão; III - quando nele estiver postulando, como defensor público, advogado ou membro do Ministério Público, seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive;
IV - quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou companheiro, ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive;
V - quando for sócio ou membro de direção ou de administração de pessoa jurídica parte no processo;
VI - quando for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de qualquer das partes;
VII - em que figure como parte instituição de ensino com a qual tenha rela- ção de emprego ou decorrente de contrato de prestação de serviços; VIII - em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de seu cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por advoga- do de outro escritório;
IX - quando promover ação contra a parte ou seu advogado.
§ 1o Na hipótese do inciso III, o impedimento só se verifica quando o defen- sor público, o advogado ou o membro do Ministério Público já integrava o processo antes do início da atividade judicante do juiz.
§ 2o É vedada a criação de fato superveniente a fim de caracterizar impedi- mento do juiz.
§ 3o O impedimento previsto no inciso III também se verifica no caso de mandato conferido a membro de escritório de advocacia que tenha em seus quadros advogado que individualmente ostente a condição nele prevista, mesmo que não intervenha diretamente no processo.
Vale dizer, deve ele abster-se de participar da relação processual.
O impedimento tem natureza de objeção processual, na medida em que pode ser alegado a qualquer tempo pela parte e deve, mesmo, ser reconhecido de ofício pelo juiz. Representa, portanto, obstáculo absoluto, intransponível ao exercício da função jurisdicional pelo juiz assim incompatibilizado, invalidando a sentença por ele proferida, conforme art. 966, II do NCPC.
A suspeição, por sua vez, recomenda ao juiz o afastamento da presidência do processo sempre que se verificarem quaisquer dos motivos arrolados pelo artigo 145, in verbis:
Há suspeição do juiz:
I - amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados; II - que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa antes ou depois de iniciado o processo, que aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa ou que subministrar meios para atender às despesas do litígio;
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44III - quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu cônju- ge ou companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro grau, inclusive;
IV - interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das par- tes.
§ 1o Poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, sem ne- cessidade de declarar suas razões.
§ 2o Será ilegítima a alegação de suspeição quando: I - houver sido provocada por quem a alega;
II - a parte que a alega houver praticado ato que signifique manifesta aceita- ção do arguido.
Por fim, é imprescindível lembrar que os casos de impedimento e de suspeição não se aplicam tão-somente ao juiz, uma vez que o art. 138 determina que também promotores de justiça, serventuários, peritos e intérpretes podem ser considerados suspeitos ou impedidos.
As partes e o juiz são os sujeitos do processo. Segundo Humberto Theodoro Júnior, “pode-se de- finir a parte para o direito processual como a pessoa que pede ou perante a qual se pede, em nome pró- prio, a tutela jurisdicional.” Nesse contexto, o autor ou demandante é aquele que invoca a tutela jurisdi- cional, tomando a posição ativa de instaurar a relação processual. E o réu ou demandado é aquele que fica na posição passiva, sujeito à relação processual instaurada pelo autor.
São capazes para estar em juízo aqueles que têm personalidade jurídica, tanto pessoas físicas (cuja personalidade jurídica começa com o nascimento com vida, nos termos do art. 2º do CC) como pessoas jurídicas (cuja personalidade jurídica inicia com o registro de seus atos constitutivos na repartição competente e na forma da lei, consoante caput do art. 45 do CC).
6.1 PARTES
6.1.1 REPRESENTAÇÃO E ASSISTÊNCIA
Conforme preceitua o art. 70 do NCPC, toda pessoa que se encontre no exercício de seus direitos tem capacidade para estar em juízo. Caso a parte não tenha capacidade para estar em juízo, necessita ser representada ou assistida.
No caso de menor impúbere (art. 3º, I, CC) ser parte no processo, deverá ser representado por um de seus pais.
Se for menor púbere (art. 4, I, CC), será assistido por um de seus pais.
Caso se trate de menor, púbere ou impúbere, que não tiver pais (art. 1728, CC), será representado ou assistido por tutor.
No caso de absoluta ou relativamente incapaz, por outras causas que não a menoridade (art. 1767, CC), haverá representação ou assistência por curador. A fim de que possa ser nomeado curador para representar o incapaz em todos os atos da vida civil, é imprescindível um processo de interdição, no qual será constatada a sua incapacidade civil.
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45 No entanto, caso o incapaz (por outra causa que não a menoridade) seja parte em determinado processo e ainda não tenha curador, o juiz poderá lhe nomear um curador especial, que desempenhará a função de representante do incapaz somente para o processo em que foi nomeado.6.1.2 CURADOR ESPECIAL
O curador especial é um representante legal nomeado ao incapaz somente para determinado processo. Ou seja, não se deve confundir curador especial com curador (nomeado para representar o incapaz num processo de interdição). O curador especial, diferentemente do curador, não se torna representante legal para todo e qualquer ato da vida civil, tampouco para outros processos para os quais não foi nomeado. Trata-se de um curador “ad hoc” somente para o processo específico em que foi nomeado.
Será nomeado curador especial nas seguintes hipóteses:
a) ao incapaz, se não tiver representante legal ou se os interesses deste colidirem com os daque- le, enquanto durar a incapacidade;
b) ao réu preso revel, bem como ao réu revel citado por edital ou com hora certa, enquanto não for constituído advogado.
A curadoria especial é uma das funções institucionais da Defensoria Pública (art. 4º, inc. XVI, da Lei Complementar 80/94).13
Se o executado for citado por edital ou por hora certa, e permanecer revel, o curador especial nomeado terá legitimidade para apresentação de embargos, conforme súmula 196 do STJ, que assim prevê: “Ao executado que, citado por edital ou por hora certa, permanecer revel, será nomeado cura-
dor especial, com legitimidade para apresentação de embargos”.
6.1.3 SUCESSÃO PROCESSUAL
A sucessão processual ocorre quando, voluntariamente e nos casos permitidos em lei, há a entrada de uma parte no processo no lugar de outra, a qual é excluída do processo.
O art. 109, caput, do NCPC prevê que a alienação do direito ou coisa litigiosa, no curso do proces- so, não altera a legitimidade das partes. Isso quer dizer que o alienante (que é parte no processo) passa a atuar no processo como substituto processual do adquirente, pois passa a defender em nome próprio o direito material alheio (do adquirente).
O § 1º do art. 109 do NCPC prevê que o adquirente ou o cessionário do direito ou coisa litigiosa somente poderá ingressar no lugar da parte se houver o consentimento da parte contrária e do alienante ou cedente. Nesse tocante, é importante ressaltar que, consoante entendimento pacífico da doutrina, quando o adquirente entra no lugar do alienante, ocorre a sucessão processual (ingresso de alguém no lugar da parte do processo, excluindo-se esta). De outro lado, se a parte contrária não consentir, o ad- quirente ou o cessionário poderá intervir no processo como assistente do alienante ou do cedente (§ 2º). Neste caso em que o alienante ou o cedente continuam no processo, passam a atuar em nome próprio defendendo direito alheio (do adquirente ou cessionário), razão pela qual passam a ser substitutos pro- cessuais.
Outro típico exemplo de sucessão processual é aquele que ocorre quando uma das partes do processo vem a falecer. Neste caso, haverá o ingresso do espólio ou dos herdeiros do falecido no seu lugar. Assim, ocorre a sucessão processual, conforme o art. 110 do NCPC.
13 “Art. 4º São funções institucionais da Defensoria Pública, dentre outras: (...) XVI – exercer a curadoria especial nos casos previstos em lei;”
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466.1.4 AUTORIZAÇÃO OU CONSENTIMENTO
Trata-se da forma prevista em lei para que um cônjuge manifeste o seu consentimento a fim de que o outro proponha ação real imobiliária, ou ação possessória, quando exigido legalmente, conforme preceitua o art. 73, in verbis:
Art. 73. O cônjuge necessitará do consentimento do outro para propor ação que verse sobre direito real imobiliário, salvo quando casados sob o regime de separação absoluta de bens.
§ 1o Ambos os cônjuges serão necessariamente citados para a ação: I - que verse sobre direito real imobiliário, salvo quando casados sob o re- gime de separação absoluta de bens;
II - resultante de fato que diga respeito a ambos os cônjuges ou de ato pra- ticado por eles;
III - fundada em dívida contraída por um dos cônjuges a bem da família; IV - que tenha por objeto o reconhecimento, a constituição ou a extinção de ônus sobre imóvel de um ou de ambos os cônjuges.
§ 2o Nas ações possessórias, a participação do cônjuge do autor ou do réu somente é indispensável nas hipóteses de composse ou de ato por ambos praticado.
§ 3o Aplica-se o disposto neste artigo à união estável comprovada nos autos.
A consequência legal para a ausência de autorização é a invalidade do processo. No entanto, se a petição inicial não vier acompanhada da autorização do cônjuge para propor a ação, o juiz não deverá de plano extinguir o processo sem resolução de mérito (indeferir a petição inicial), senão intimar a parte para juntá-la aos autos.14