envolve apenas matéria de direito, consubstanciada na valoração, e não ao reexame das provas. 4. Agravo regimental a que se nega provi-
mento. (AgRg no Ag 1427123 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2011/0182531-5, Rel. Min. Marco Aurélio Belizze)
17.8.2.1.3. Causa decidida em única ou última instância: tanto o art. 102, III, quanto o art. 105, III, da Constituição Federal exigem que a decisão objeto do recurso especial ou do recurso extraordinário tenha sido decidida em única ou última instância. Entretanto, o art. 105, III, da CF exige que a causa decidida em única instância tenha sido prolatada por tribunal. Esta menção a tribunal por si só já afasta o cabimento de recurso especial de decisão prolatada pelas turmas recursais dos juizados especiais cíveis, nos exatos termos da súmula 203 do Superior Tribunal de Justiça, verbis: “não cabe recurso especial
contra decisão proferida por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais.”
Em contrapartida, como o art. 102, III, da CF não menciona que a causa objeto do recurso extra- ordinário precise ser decidida em única ou última instância por tribunal, é cabível esse recurso respectivo de decisões prolatadas pelas turmas recursais em sede de juizados especiais.
Por decisão de última instância, deve-se entender o prévio esgotamento das vias recursais, o que significa dizer que antes da interposição do recurso especial ou do recurso extraordinário, a parte deverá esgotar todos os recursos possíveis, sob pena de não admissão.
Em contrapartida, por decisão de última instância, deve se entender as causas de competência originária dos tribunais (v.g. ação rescisória).
17.8.2.2. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE ESPECÍFICOS DO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO
17.8.2.2.1. Repercussão geral: A repercussão geral, introduzida na Constituição Federal pela e- menda constitucional nº 45/2004, que acrescentou o § 3º no art. 102, e regulamentada, posteriormente, pela Lei 11.418/06, é um filtro ou “marco divisor” no recurso extraordinário. Hoje, não basta mais o recorrente afirmar em sua petição de recurso extraordinário a violação ou negativa de vigência da Cons- tituição Federal. Além disso, deverá demonstrar a existência de repercussão geral. Esse requisito foi regulamentado no NCPC, em seu artigo 1.035.
Ou seja, na petição de recurso extraordinário, o recorrente deverá demonstrar que o jul- gamento do mesmo não interessa apenas para ele, mas também para uma coletividade, não havendo a necessidade de que esta envolva todos os habitantes do país, mas pode estar restrita a determinado grupo. A não demonstração do preenchimento desse respectivo requisito conduz à inadmissão do recur- so, verbis:
Agravo regimental no recurso extraordinário com agravo. Matéria criminal. Recurso extraordinário. Repercussão geral. Ausência de preliminar formal fundamentada. Inadmissibilidade do extraordinário. Precedentes. 1. Os re- cursos extraordinários interpostos contra acórdãos publicados a partir de 3/5/07 devem demonstrar, em preliminar formal devidamente fundamenta- da, a existência da repercussão geral das questões constitucionais discuti- das no apelo extremo (AI nº 664.567/RS-QO, Tribunal Pleno, Relator o Mi- nistro Sepúlveda Pertence, DJ de 6/9/07). 2. A repercussão geral deverá ser demonstrada em tópico destacado da petição do recurso extraordinário, não havendo que se falar em repercussão geral implícita ou presumida. 4. Agra- vo regimental ao qual se nega provimento. (ARE 697979 AgR / SP - SÃO
PAULO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO Rel. Min. DIAS TOFFOLI, 13/11/2012)
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176Não é demasiado referir, que a repercussão geral é presumida, nos termos do § 3º do art. 1.035 do NCPC, que acrescentou novas hipóteses àquelas já mencionadas no CPC/73. Assim, presume-se a repercussão geral sempre que o acórdão: contrariar súmula ou jurisprudência dominante do STF, tenha sido proferido em julgamento de casos repetitivos, tenha reconhecido a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal, nos termos do artigo 97 da Constituição Federal.
17.8.2.2.1.1. Repercussão geral e suspensão de todos os processos pendentes: Nos termos do artigo 1.035, § 5º, “reconhecida a repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal determinará
a suspensão do processamento de todos os processos pendentes individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional”. Não é demasiado referir que, o recurso que tiver a
repercussão geral reconhecida, deverá ser julgado no prazo de 1 (um) ano e terá preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvem réu preso e os pedidos de habeas corpus (artigo 1.035, § 9º, do NCPC). Caso não haja o julgamento dentro desse prazo, cessa em todo território nacional a suspensão dos processos, que retomarão seu curso normal (artigo 1.035, § 10, do NCPC).
O interessado poderá requerer, ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal de origem, que exclua da decisão de sobrestamento e inadmita o recurso extraordinário que tenha sido interposto in- tempestivamente, tendo o recorrente prazo de 5 (cinco) dias para manifestar-se sobre esse requerimen- to (artigo 1.035, § 6º). Da decisão que indeferir o requerimento, cabe o agravo previsto no artigo 1.042 do NCPC.
Em sendo negada a existência de repercussão geral, o presidente ou vice-presidente do tribunal de origem negará seguimento aos recursos extraordinários sobrestados na origem que versem sobre matéria idêntica, cabendo contra essa decisão o recurso de agravo previsto no artigo 1.042, III, do NCPC.
17.8.2.2.1.2. Violações à Constituição Federal: nos termos do art. 102, III, da Constituição Fede- ral, o recurso extraordinário tem cabimento nas seguintes hipóteses: a) contrariar dispositivo desta Constituição; b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição; d) Julgar válida lei local contestada em face de lei federal.
17.8.2.3. Requisitos de admissibilidade específicos do recurso especial: de acordo com o art. 105, III, da Constituição Federal, o recurso especial tem cabimento nas seguintes hipóteses: a) contrariar tratado ou lei federal ou negar-lhes vigência; b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal; c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.
ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO PROFERIDA SINGULARMENTE PELO RELATOR. POSSIBILIDADE. ART. 557 DO CPC. SOLICITAÇÃO DE REDUÇÃO DA DEMANDA ENERGÉTICA FORNECIDA. PROCEDIMENTO DISCIPLINADO EM RESOLUÇÃO ADMINISTRATIVA. DESCABIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. Nos termos do art. 557 do CPC, é facultado ao Relator negar seguimento a recurso manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com súmula ou jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior. Assim, atendida uma das condições previstas, pode o julgador negar seguimento ao recurso, em apreço à celeridade dos julgamentos e ao princípio da efetividade do pro- cesso.
2. Ademais, eventual impropriedade processual da decisão monocrática fica superada, uma vez instado o órgão colegiado a se pronunciar em sede de Agravo Regimental.
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1773. Embora disponha a ANEEL de legitimidade para editar atos normativos, a jurisprudência desta Corte Superior pacificou o entendimento de que Porta- rias, Circulares e Resoluções não se equiparam a Leis Federais para fins de interposição do Recurso Especial.
4. Agravo Regimental da Rio Grande Energia S/A desprovido. (AgRg no AREsp 214672, AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ES- PECIAL 2012/0165123-8, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, 23.10.2012)
No tocante à divergência jurisprudencial, que enseja o recurso especial nos termos da alínea “c” do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, deve-se observar o disposto na Súmula 13 do Superi- or Tribunal de Justiça, verbis:
A divergência entre julgados do mesmo Tribunal não enseja recurso especial.
A divergência jurisprudencial poderá ser comprovada na forma do art. 1.029, § 1º, do NCPC. Na demonstração da divergência, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não basta a simples transcrição de ementas. O recorrente deverá transcrever trechos da decisão recorrida e da decisão prolatada no acórdão paradigma, que indique a similitude de casos e a diversidade de julgamen- tos. Neste sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, compatível com o NCPC:
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO INTEGRATIVO RECEBIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. AU- SÊNCIA DE INDICAÇÃO DODISPOSITIVO DE LEI QUE ESTARIA SENDO VIOLADO. DISSÍDIO NÃO DEMONSTRADO NOS TERMOS DA LEGISLA- ÇÃO DE REGÊNCIA.
1. Em observância aos princípios da fungibilidade e economia processual, os embargos de declaração são recebidos como agravo regimental. 2. O recurso especial serve à impugnação de acórdão que contraria tratado ou lei federal, que julga válido ato de governo local contestado em face de lei federal ou que dá à lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal, conforme disciplinado no art. 105, III, da Constitui- ção Federal de 1988. Assim, a indicação do dispositivo de lei federal que se considera violado ou cuja interpretação é objeto de divergência entre os Tri- bunais pátrios é condição de admissibilidade do recurso especial, cuja au- sência atrai a aplicação do entendimento contido na Súmula nº 284 do STF. 3. Não se conhece do recurso especial interposto com base na alínea "c" do permissivo constitucional, quando a divergência não é demonstrada nos termos em que exigido pela legislação processual de regência (art. 541, pa- rágrafo único, do CPC, c/c art. 255 do RISTJ). A mera transcrição de emen- tas não serve à demonstração do dissídio, sendo necessário o cotejo analí- tico entre os acórdãos recorrido e paradigma, com a demonstração da iden- tidade ou semelhança entre as peculiaridades dos casos confrontados. 4. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental, não provido. (EDcl no REsp 1315377 / CE
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL
2012/0049024, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, 18.09.2012)
17.8.3. Requisitos de admissibilidade gerais do recurso especial e do recurso extraordinário:
ambos os recursos (especial e extraordinário) deverão preencher os requisitos gerais de admissibilidade, tanto intrínsecos quanto extrínsecos.
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178o recurso extraordinário são dotados apenas do efeito devolutivo. Entretanto, caso haja a necessidade de ser agregado efeito suspensivo aos mesmos, deverá declinar essa pretensão respectiva através do desencadeamento de uma medida cautelar, nos exatos termos das súmulas 634 e 635 do Supremo Tri- bunal Federal, aplicadas também pelo Superior Tribunal de Justiça:
Ambos os recursos são dotados também dos efeitos substitutivo, ativo e expansivo. O efeito translativo não ocorre em razão do requisito prequestionamento.
17.8.5. Processamento: O recurso especial e o recurso extraordinário, conforme já mencionado, são interpostos perante os tribunais de origem Tribunais de Justiça e Tribunais Regionais Federais. O artigo 2º da Lei 13.256/16 alterou a redação do artigo 1.030, estabelecendo novamente – tal como ocor- ria no CPC/73–, o duplo exame da admissibilidade nos recursos especial e extraordinário, verbis:
Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou ao vice-presidente do tri- bunal recorrido, que deverá:
I – negar seguimento:
a) a recurso extraordinário que discuta questão constitucional à qual o Su- premo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral ou a recurso extraordinário interposto contra acórdão que esteja em conformidade com entendimento do Supremo Tribunal Federal exarado no regime de repercussão geral;
b) a recurso extraordinário ou a recurso especial interposto contra acórdão que esteja em conformidade com entendimento do Supremo Tribunal Fede- ral ou do Superior Tribunal de Justiça, respectivamente, exarado no regime de julgamento de recursos repetitivos;
II – encaminhar o processo ao órgão julgador para realização do juízo de re- tratação, se o acórdão recorrido divergir do entendimento do Supremo Tri- bunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça exarado, conforme o caso, nos regimes de repercussão geral ou de recursos repetitivos;
III – sobrestar o recurso que versar sobre controvérsia de caráter repetitivo ainda não decidida pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se trate de matéria constitucional ou infraconstitucio- nal;
IV - selecionar o recurso como representativo de controvérsia constitucional ou infraconstitucional, nos termos do § 6º do art. 1.036;
V - realizar o juízo de admissibilidade e, se positivo, remeter o feito ao Su- premo Tribunal Federal ou ao Superior Tribunal de Justiça, desde que: a) o recurso ainda não tenha sido submetido ao regime de repercussão ge- ral ou de julgamento de recursos repetitivos;
b) o recurso tenha sido selecionado como representativo da controvérsia; ou
c) o tribunal recorrido tenha refutado o juízo de retratação.
§ 1º Da decisão de inadmissibilidade proferida com fundamento no inciso V caberá agravo ao tribunal superior, nos termos do art. 1.042.
§ 2º Da decisão proferida com fundamento nos incisos I e III caberá agravo interno, nos termos do art. 1.021.
Da decisão que não admitir os recursos especial e extraordinário, caberá o recurso de agravo (ar- tigo 1.042 do NCPC).