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ALTERAÇÕES CARDIOVASCULARES CAUSADAS PELO

No documento ANAIS SEMINARIO BIOETICA 21 12 (páginas 126-129)

BIOÉTICA E EDUCAÇÃO

29. ALTERAÇÕES CARDIOVASCULARES CAUSADAS PELO

ENVELHECIMENTO DO ORGANISMO

1

Andréa Moreira Arrué2

Leila Regina Wolff3

Márcia Gabriela Rodrigues de Lima4 Daniele Trindade Vieira 5 Katiele Hundermarck 6

Descritores: Idosos, Envelhecimento, Fatores de risco; Doença cardiovascular.

INTRODUÇÃO: Com o passar dos anos o número de idosos aumentou, pois no Brasil atualmente essa parte da população chegou a 31,8 milhões devido ao aumento da expectativa de vida. Sendo que as pessoas com 60 anos ou mais atingem cerca de 17 milhões, com 80 anos ou mais em torno de 1.832.105 milhões e centenários 25.787 mil (SÁ, 2007). Por consequência disso, para manutenção da saúde desses indivíduos, são despendidos expressivos custos sociais e econômicos tanto no setor público como no privado (NETO, 2008). Pois o organismo humano sofre alterações fisiológicas como resultado do processo de envelhecimento, que geralmente não são aparentes ou patológicas. Todavia na tentativa de ajustar-se a homeostasia corporal ao envelhecimento, muitas vezes, pode haver algumas descompensações, como é o caso das alterações cardiovasculares. Segundo Almeida (2008), referente a enfermidades cardiovasculares, a população com mais de 60 anos utiliza grande parte dos recursos econômicos disponíveis para a manutenção da saúde, pois à medida que a doença cardiovascular progride mais provável é a necessidade de internação e reinternação hospitalar. O Sistema Único de Saúde (SUS) é o financiador de 90% das internações no País, gastando cerca de R$ 200 milhões por ano apenas com as internações por enfermidades cardiovasculares (ALMEIDA, 2008). OBJETIVO: Objetiva-se descrever algumas alterações cardiovasculares que acometem o organismo de pessoas idosas em decorrência do processo natural de adoecimento, mas que podem comprometer á vida desses indivíduos. METODOLOGIA: Metodologicamente utilizou-se um relato de experiência obtido durante o período de estágio voluntário em uma Casa de Repouso para Idosos, situado em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, no período de setembro de 2007 a agosto de 2008. A fim de embasar teoricamente este estudo utilizou-se uma revisão literária como base de enriquecimento. RESULTADOS OBTIDOS: O desenvolvimento de cuidados com pessoas idosas permite distinguir as alterações decorrentes do       

1 Relato de experiência.

2Autor/Relator: Acadêmica do 7 º semestre do curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 3 Orientador: Prof.ª Enf.ª Dr.ª do Curso de Enfermagem da UFSM, Vice Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Enfermagem e Saúde (GEPES).

4 Co-autora: Acadêmica do 7º semestre do curso de Enfermagem da UFSM, Membro do GEPES.

5 Co-autora: Acadêmica do 7 º semestre do curso de Enfermagem da UFSM, Integrante do Grupo de Pesquisa Cuidado, Saúde e Enfermagem, do Departamento de Enfermagem/UFSM

6 Co-autora: Acadêmica do 7 º semestre do curso de Enfermagem da UFSM, Bolsista FIPE do Grupo de Pesquisa Cuidado, Saúde e Enfermagem, do Departamento de Enfermagem/UFSM

próprio processo de envelhecimento, daquelas causadas por um processo patológico específico. Segundo (SÁ, 2007) o envelhecimento biológico é o processo de deterioração física geral, irreversível e progressivo que ocorre ao longo do tempo. Ou seja, são transformações do organismo associados à redução das reservas fisiológicas nos tecidos e órgãos, sendo que a idade avançada deixa mais evidente a redução da reserva fisiológica para dar conta dos desafios do meio ambiente. A mesma autora ainda destaca que, o envelhecimento bem sucedido ocorre quando se tem um baixo risco de adquirir doenças do surgimento de incapacidades no funcionamento físico e mental e o

envelhecimento mal sucedido acontece quando começam a surgir doenças de risco. Além disso, há

enfermidades que se manifestam relacionadas à idade cronológica e outras que aparecem em decorrência de algum estilo de vida/fatores de risco adotados durante longo tempo de vida e tem seus efeitos potencializados com o envelhecimento do organismo, como: o tabagismo, alcoolismo, obesidade e sedentarismo. Como afirmam Figueiredo, Stipp e Leite (2008) os fatores de risco para doenças cardiovasculares se dividem em quatro diferentes grupos: Características constitucionais,

Características comportamentais, Patologias ou distúrbios metabólicos, Características socioeconômicas e culturais. No grupo das características constitucionais ficam a herança genética, o

sexo, a raça e a idade do indivíduo, ou seja, são características não passíveis de modificação, inerentes a cada indivíduo. Já nas características comportamentais se enquadram o fumo, ingesta de álcool, uso de anticoncepcionais, dieta e atividade física, sendo que essas estão relacionadas ao comportamento e ao hábito do indivíduo e são passíveis de modificação. Referente a Patologias ou

distúrbios metabólicos destaca-se hipertensão arterial, diabetes mellitus, obesidade, hiperlipidemia,

ou seja, são desvios e alterações hemodinâmicas, endócrinas ou metabólicas, gerados por uma combinação de características genéticas e ambientais que aumentam o risco de doenças cardiovasculares, agindo isoladamente ou com outros fatores de risco. Quanto às características

socioeconômicas e culturais pode-se descrever a renda, ocupação, escolaridade, classe social,

migração e outras que são variáveis utilizadas para explicar a distribuição das doenças crônicas não transmissíveis e seus fatores de risco e para identificação de grupos com maior risco de adoecer. Acrescenta-se ainda que, de modo não diferente de outras alterações corporais no idoso, foi possível observar que as alterações cardiovasculares podem vir a prejudicar o funcionamento cardíaco e sua inter-relação com outros sistemas, além de diminuir a qualidade de vida desses indivíduos, já que era necessário mantê-los assintomáticos com uma variedade de medicamentos e restrições alimentares. Segundo Hudak e Gallo (1997), é importante destacar ainda que, o coração do idoso não manifesta alterações anatômicas, entretanto há uma diminuição de sua função gradualmente, sendo que o volume sistólico diminui e a frequência cardíaca tende a aumentar em repouso, todavia, ocorre o contrario no exercício. Além disso, a mesma autoria supracitada acrescenta que, grande parte dos idosos apresenta problemas arteriais, principalmente em coronárias, pois, no envelhecimento as artérias perdem sua elasticidade e tornam-se menos complacentes com o aumento do débito cardíaco, causando a arteriosclerose, resultando em maior pressão sistólica com alterações mínimas ou nenhuma na diastólica. Ressalta-se ainda, o aparecimento de aterosclerose (acúmulo de placa de gordura (ateroma) na camada íntima de artérias) em idosos é muito frequênte, uma vez que o

estreitamento de vasos, associado à diminuição de sua complacência, pode produzir isquemia tecidual. Esta, juntamente com repouso no leito, contribui para lesão tecidual e a formação de ateromas. Eles destacam dizendo que, pode haver hipertrofia ventricular produzida por elevada pressão aórtica em decorrência do aumento de volume intravascular pela diminuição da complacência nos vasos. Durante o período de vivência, houve alguns casos de idosos com acúmulo de líquidos em membros inferiores e superiores, sendo que isso pode ter acontecido pela diminuição da massa muscular e pela diminuição do retorno venoso (HUDAK E GALLO, 1997). Por consequência, os autores citados anteriormente reforçam dizendo que, há riscos de sobrecarga vascular e insuficiência cardíaca congestiva se for colocado em repouso no leito. Observou-se ainda a presença de tonturas e mal estar nos idosos quando os mesmos levantam do leito, sendo necessário colocá-los com as pernas pendentes e elevar da cabeça. Pois, o súbito deslocamento de líquidos para os membros inferiores e o volume de líquidos reduzidos que resulta do repouso no leito podem produzir tontura extrema. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Diante do exposto, o emprego de cuidados a idosos possibilita presenciar as evidências do envelhecimento do organismo por meio das alterações globais que acontecem. Além disso, destaca-se que as alterações no funcionamento cardiovascular podem afetar não só a homeostasia do coração, mas também o desempenho de atividades normais em outros sistemas que funcionam integrados.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, D. R. Atualização no tratamento da insuficiência cardíaca - Doença arterial coronária estável.V.18, N.1.2008.

FIGUEIREDO, N. M. A. de; STIPP, M. A. C.; LEITE, J. L. Cardiopatias: Avaliação e Intervenção em Enfermagem. São Paulo: Yendis Editora, 2008.

HUDAK, C.M.;GALLO, B.M. Cuidados Intensivos de Enfermagem: Uma abordagem holística.Rio de Janeiro: Ed Guanabara Koogan, 1997.

NETO, A.G.C. et al. Reabilitação Cardíaca após Alta Hospitalar no Sistema Público de Saúde do Município do Rio de Janeiro. Rev SOCERJ. 2008; 21(6):399-403.

SÁ. S.P.C. Feridas Têm Alma. Conferência do I Congresso Brasileiro de Tratamento de Feridas. Gerontologia. Rio de Janeiro, 2007.

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