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TIVE CÂNCER, E AGORA? O APOIO DO GRUPO RENASCER

No documento ANAIS SEMINARIO BIOETICA 21 12 (páginas 60-63)

Resumos dos trabalhos

10. TIVE CÂNCER, E AGORA? O APOIO DO GRUPO RENASCER

Anaíse Dalmolin2

Alberto Manuel Quintana3 Valéri Pereira Camargo2 Ana Luiza Portela Bittencourt4

FIEX/UFSM Descritores: Câncer de mama, apoio

INTRODUÇÃO: O denominado câncer de mama é uma neoplasia maligna, resultado de multiplicações desordenadas de determinadas células corporais (DUARTE E ANDRADE, 2003) e cujo diagnóstico é capaz de produzir um importante impacto psicológico para a paciente, já que ameaça ou mesmo compromete um órgão associado à imagem corporal, maternidade, feminilidade e sexualidade. Dessa forma, o diagnóstico pode atingir a mulher com duas ameaças reais: a possibilidade da morte, representada pela própria doença e perdas congruentes ao tratamento intrusivo, e a mastectomia, que remete a mutilação. A perda desse órgão, a mama, como lembrou Fonseca (1989), se constitui uma perda semelhante àquela de um ente querido cuja mutilação precisa ser assimilada, elaborada através de um trabalho semelhante ao de luto. O chamado “luto antecipatório” se refere não só a possibilidade de uma morte física, mas também faz referência as várias modificações estruturais que a doença e tratamento impõe, como constantes deslocamentos ao hospital, mudança da rotina de trabalho, limitações físicas e mudanças corporais, sendo que esse processo de luto e a elaboração dessas perdas provisórias são importantes para a eficiente assimilação da nova condição. Entende-se que para haver a concretização do prognóstico positivo após a detecção do câncer, é essencial a conscientização e apropriação pelo paciente das situações vividas com a doença e com o tratamento, pois esta compreensão facilita o enfrentamento e a adaptação às novas condições (SILVA, TELES E VALLE, 2005, p.256). Dessa forma, percebendo as mudanças acarretadas com a descoberta do câncer e, principalmente, das conseqüências do tratamento intrusivo, surgiu a proposta de um grupo de apoio multidisciplinar, onde essas mulheres pudessem encontrar um espaço acolhedor para falar de suas experiências, sanar suas dúvidas e aliviar suas angústias. Há 18 anos principiou-se nas dependências do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) o Grupo Renascer. Sua equipe de profissionais e acadêmicos buscam compreender as pacientes em sua totalidade e intervir sobre tal perspectiva. OBJETIVOS: O grupo objetiva-se criar um espaço onde as pacientes possam conhecer, tirar dúvidas e discutir sobre do câncer de mama e o que nele estiver envolvido, como as implicações de uma mastectomia, as possibilidades de cura e de metástases, os tratamentos e seus efeitos e os exames. Procura-se também aproximar as participantes de tratamentos complementares, como psicoterapia e fisioterapia, além de proporcionar       

1 Projeto de Extensão

2 Acadêmica do curso de Psicologia da UFSM

3 Doutor em Ciências Sociais, Professor Adjunto de Psicologia da UFSM 4 Mestranda em Psicologia da UFSM.

conhecimento de seus direitos e de dicas sobre a facilitação do tratamento. Por ser um grupo de apoio, também objetiva-se dar suporte às ansiedades e frustrações em relação à doença e tratamento e obter um ambiente facilitador para a elaboração das diversas perdas, como o seio, a autonomia, as mudanças na imagem corporal e o convívio social, geralmente abalados nesse processo. Além disso, procura-se facilitar a reinserção em grupos sociais, facilitando o retorno às suas atividades cotidianas e ao convívio social. METODOLOGIA : Trata-se de um grupo aberto, quinzenal, onde novos membros podem ingressar em qualquer momento. Conta com a participação de uma equipe técnica formada por uma acadêmica de psicologia, uma acadêmica de serviço social, uma acadêmica de fisioterapia, quatro acadêmicas de enfermagem e duas enfermeiras do próprio hospital, além do apoio de outra enfermeira, já aposentada e uma fisioterapeuta que participam esporadicamente e auxiliam nos eventos externos. Quanto ao número de participantes, é variável, sendo em torno de dez por encontro. O espaço físico utilizado é uma sala no segundo andar do HUSM, voltada a especialidade de saúde da mulher. A sala é espaçosa, podendo acolher com conforto as integrantes. Os encontros são organizados pela equipe técnica, mas com temas e sequências escolhidos pelas integrantes. Em cada encontro é feito uma programação para o próximo, sempre que possível trazendo algum convidado. A atuação da equipe técnica é revezada, de acordo com a temática do dia, sendo a maior participação desta feita nos aspectos burocráticos do funcionamento do grupo. Ao final de cada encontro é feita uma confraternização com lanches as próprias participantes levam quase sempre feito por elas mesmas, como bolos e doces e um chá cedido pelo hospital. Reuniões temáticas são feitas nas datas comemorativas, como festa junina e dia das mães. Alguns desses encontros são feitos fora das dependências do hospital. A data e local são escolhidos em comum acordo, sempre se levando em conta as disponibilidades financeiras de todas para tal plano. RESULTADOS: O grupo Renascer, por existir há anos, já beneficiou muitas mulheres em situação pós-cirúrgica. Entretanto, o fato de meramente passar pelo grupo não garante resultados efetivos, pois, como nos diz Zimerman (2000, p. 149), “qualquer grupo começa como um mero aglomerado de partes soltas (indivíduos) e sem coesão entre si, sendo que será unicamente através da função de sustentação e de continência do grupoterapeuta que o grupo poderá evoluir de um mero estado de aflições individuais para uma situação de integração, pertencência e pertinência”. Essa função de grupoterapeuta é exercida pelos membros da equipe de multiprofissionais que agem como facilitadores do processo grupal. Assim, o grupo se caracteriza por um espaço de compartilhamento não só de assuntos referentes à doença, mas de qualquer aspecto da vida e, além disso, vem a ser um local de convivência importante, considerando que muitas participantes matem os relacionamentos fora do grupo também. Muitas delas se tornaram amigas próximas após o encontro no grupo, visitando-se frequentemente e compartilhando momentos e datas importantes. Além disso, por sugestão do próprio grupo, reuniões de confraternizações são realizadas em datas especiais, muitas acontecendo fora das dependências do hospital. Viagens e passeios também acontecem, sempre sugeridos pelas integrantes. Este é, inclusive, é um fator integrante do grupo, já que por ser em horários alternativos muitas que não podem comparecer no dia do grupo participam destes outros momento e, assim, mantém seus vínculos com o grupo. Dessa forma, é perceptível a importância da

realização do grupo Renascer para as mulheres, pois não se trata somente de um espaço voltado à doença, mas também para a saúde e onde aspectos da vida pessoas são também incrementados. A relação com a doença costuma aparecer, principalmente, quando há uma nova integrante no grupo e as demais falam de suas histórias. Muitas vezes, se percebe nas falas orgulho ao relatar o processo saúde/doença como afirmação de serem lutadoras e vencedoras, pois fazendo isso, além de incentivarem as novas integrantes do grupo com mensagem de superação, é uma forma de reafirmar sua condição atual distante da doença e também, o falar produz a idéia de domínio, como se agora aquela situação que causou sofrimento pudesse ser controlada por ela. Quanto as novas integrantes no grupo, percebe-se que elas finalizam o encontro com mais motivação e auto-estima e pretendendo retornar, fato que ocorre majoritariamente. Assim, a troca de experiências promovida através do grupo Renascer mostra-se benéfica tanto para as pacientes antigas quanto as recém iniciadas no tratamento, pois a umas reafirma a condição de superação e saúde e para as outras mostra um caminho para vencer o obstáculo da doença. CONCLUSÃO: O câncer é uma doença que se mostra de difícil superação, principalmente nos aspectos emocionais, e nesse aspecto o apoio grupal estimulado no Renascer mostra-se efetivo nesta luta. Com as reuniões quinzenais se trabalham com eficiência sobre o medo do desconhecido, o medo da reincidência da doença, buscando também superar o silêncio forçado do psiquismo, que ao calar a voz faz o corpo gritar através da negação da doença. Ainda, o medo da rejeição dentro do grupo, e a desconfiança gerada por tal contato inicial, são acompanhados e auxiliados pelos técnicos, proporcionando que o Renascer seja um grupo que perpasse as reuniões quinzenais e interfira em outras esferas da vida das mulheres. Para as pacientes em início de tratamento, a ideia de não estar só, de não ser a única e de poder compartilhar com o grupo as situações vividas ou expectativas da mesma fazem a ansiedade ligada a elas diminuir e, desta forma, conseguir um enfrentamento menos angustiante das experiências típicas do tratamento. As pacientes que realizaram a mastectomia há mais tempo, por outro lado, encontram no grupo uma possibilidade de estreitamento de relações sociais e da vida pessoal. Ainda, ao contribuírem com suas experiências, estão auxiliando as pacientes novas na compreensão do processo e também, através da fala, podendo entrar em contato com o passado da doença de uma maneira diferente, percebendo a superação dessa etapa.

REFERÊNCIAS

DUARTE, T.; ANDRADE, A. Enfrentando a mastectomia: análise dos relatos de mulheres mastectomizadas sobre questões ligadas à sexualidade. Estudos de Psicologia (Natal), v.8 n.1 Natal jan./fev, 2003.

FONSECA, A. Vivência Corporal, Imagem do Corpo e Mastectomia. Anais Reunião Anual de Psicologia, Ribeirão Preto, 1989.

SILVA,G.M.; TELES,S.S.; VALLE, E.R.M. Estudo sobre publicações brasileiras relacionadas a aspectos psicossociais do câncer infantil – período de 1998 a 2004. Revista Brasileira de Cancerologia, v.51, n.3, p 253-261,2005.

ZIMERMAN, D. E. Fundamentos básicos das grupoterapias. 2. ed. Porto Alegre: Artes Medicas Sul, 2000.

11. ACOMPANHAMENTO A PACIENTES COM CÂNCER DE MAMA E ÚTERO: A

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